Eu ouvi falar do livro "Mulheres correm com Lobos" quando vivia meu momento mais selvagem na vida profissional. A Carlinha (Jimenez), uma das minhas editoras na vida de frila, ficou horas trocando idéias comigo sobre nós - mães, mulheres, profissionais, malucas, loucas e selvagens - no telefone. Mas o livro era caro e, talvez, ainda não fosse a hora ideal de descobrí-lo. Mas quem foi que disse que livros não nos perseguem? A Rê, do Acontece Aqui, me indicou um encontro feito por outra Carla, a Machado, baseado no livro. Foi a partir deste encontro ( que infelizmente não pude fazê-lo pela falta de grana - agora eu já posso fazer, Carla!) que descobri o que era esse tal livro.
A Carla me explicou que era contos que tratavam sobre arquétipos da mulher baseado também na teoria de Jung. Putz! Eu não lembro mais nada sobre Jung, mas na época da faculdade, eu adorava as aulas que falavam sobre id. Não me pergunte mais o que é id??? porque já cheguei aos 34 anos e completo 12 anos de formada.
Foi mais ou menos assim que Clarissa Pinkola Estés, autora do livro, chegou na minha vida. Detalhe: confundia a clarissa com clarice e precisa dizer que sou fã da Clarice Lispector? Ah! Vale lembrar que, apesar de colocar o livro na lista de compras, nunca conseguia adquirí-lo por falta de grana até que, na semana retrasada, eu encarei o sebo em busca de um livro de internet e jornalismo e levei o Mulheres também na troca. Bingo! Comecei a ler ontem depois do meu desabafo e tchan tchan tchan descobri que sou uma mulher selvagem. Calma! Prometo que vou tentar explicar o que é ser a La Loba.
Sabe aquele "mergulho" que mencionei ontem? Isso é coisa de la loba. "Para algumas mulheres, essa revitalizante "prova da natureza" ocorre durante a gravidez, durante a amamentação, durante o milagre das mudanças que surgem á medida que se educa um filho, durante o cuidado que dispensamos a um relacionamento amoroso, os mesmos que dispensaríamos a um jardim muito querido". Essa citação do livro refere-se ao encontro que temos com o arquétipo da Mulher Selvagem, que tem algumas características como percepção aguçada, espírito brincalhão e elevada capacidade para devoção. Achou você?
Eu também. Será que somos parecidas? Tenho absoluta certeza de que não somos nada parecidas, mas somos La Lobas. O livro relata o conto da La Loba, mas não vou estragar a surpresa. Posso lhe adiantar que ser Selvagem implica em costurar os retalhos de nós mesmas para nos tornarmos mais fortes, para sermos exatamente como somos, mulheres! Sabe aquela sensação de que AGORA você pode mudar o mundo? Aquela força maluca que você tem de avançar no outro quando alguém comenta algo negativo sobre seu filho? Ah! Agora você sabe que é capaz de matar pelo outro, né? Ninguém te segura quando a leoa mãe entra em ação. Pois bem, essa garra é coisa de mulher selvagem. A gente nem se reconhece...
E quer tamanha devoção que o ciclo xixi-cocô-mama e nada de dormir nem um segundo sequer. Como você suportaria senão fosse uma Mulher Selvagem? Eu não tenho dúvida de que a maternidade foi quem abriu as portas da minha caverna. Foi quando vi a Malu naquele berço imenso que me descobri mulher e chorei muitooooooo e toda descabelada, desajeitada olhei pro lado e vi meu grande companheiro de vida aos prantos. Aquele momento foi mais marcante que meu casamento, minha formatura, meu primeiro buzão que peguei para sair de casa e enfrentar o mundo. Talvez, tenha sido aquele agora em que a Mulher Selvagem deixou claro que ela existia. Hoje chegou a hora de encontrá-la.
tem uma frase linda no livro que me tocou bastante: "viver aquilo que percebemos". eu confesso que minha percepção aguçada sempre foi ingênua demais antes de me tornar mãe. Continuo ainda boba, mas já sei identificar quando minha 'bobice" me prejudicou muitoooooooooo. quem sabe um dia descubro quando estou sendo boba? será que estou sendo agora? Que me importa, eu quero falar disso agora. E não vou permitir que eu mesma deixe de conversar sobre essa Mulher com você. Topa?
Então, ainda lhe deixo outra frase ainda mais importante: "a grande tarefa diante de nós consiste em APRENDER a compreender à nossa volta e dentro de nós exatamente o que deve viver e o que deve morrer". Bem-vinda à selvageria feminina!
Ceila,
L esse livro há bastante tempo e, desde então, ele virou uma espécie de "Bíblia": quando estou aflita, abro aleatoriamente alguma página e leio. Mata um pouco a minha "hambre del alma". :)
Amo a escritora, já li outros livros dela: "O Jardineiro que tinha fé" e "O dom da história". São muito marcantes também. Na época que li, era solteira, apenas tinha o sonho de ser mãe, mas era alguma coisa distaaante... mas ali decidi que minha filha, se eu a tivesse, se chamaria Clarissa... como também sou fanática pela Lispector, juntei as duas escritoras, mais alguns anos de vida, um marido amado e finalmente tive a minha Clarice. Não sei se foi a minha mulher selvagem que me contou, mas desde o primeiro dia que descobri a gravidez, sabia tudo: que seria a Clarice, uma menina linda que nasceu (longos) meses depois, e que agora acaba de me interromper perguntando a cor de uma canetinha, desenhando no papel aqui do meu lado, com 2 aninhos e 4 meses... :)
Já faz parte também da estante de livros da filhota um outro livro da Clarissa - "Os contos dos Irmãos Grimm", porque é óbvio que jamais a Branca de Neve, a Cinderela seriam as mesmas depois de ler Clarissa. Depois de tocar o "rio abajo rio", depois de conhecer e beijar a face da Loba.
É um livro para ler a vida inteira - porque as mulheres precisam despertar seu lado criativo, matar sua fome da alma, entender o amor em diversas fases da vida. Fez tão bem há 10 anos atrás, quando nem pensava em ser mãe, muito mais quando engravidei. E sei que fará tão bem quando precisar entender a criação da minha filha como uma mulher selvagem, ser a “verdadeira” mãe dela, ajudá-la a não se sentir um patinho feio, a encontrar seu bando.
Sem dúvida, esse livro é a chave para um mundo de conhecimento, ou melhor, de auto-conhecimento. É uma chave que sangra em nossas mãos. :)
Leiam, leiam, se não puder comprar, emprestem, procurem! Esse livro muda nossas vidas, de um jeito bom e difícil de explicar.
Beijos!
Deh
Observe aqueles programas que mostram a vida selvagem. Eles basicamente mostram cadeias alimentares. Um bicho tentando se defender de outro mas ao mesmo tempo atacando um terceiro para sobreviver...porque é um ciclo.
no nosso mundinho humano seria diferente? vivemos numa sociedade exatamente igual mas dita civilizada. porém basta perceber sem eufemismos as relações para constatar q só as mulheres selvagem sobrevivem mesmo!!!
bjs
Aloha!
Bom, posso responder que ainda estou no estágio de "brabeza". É, ainda não aprendi muita coisa, mas sinto que cada vez q eu leio o livro, eu aprendo uma coisa nova.
Também corri como louca atrás dele. Valeu muuuuuuuuito a pena. Espero que se divirta com a leitura. Ela mudou minha vida. E é super legal se identificar com esse tipo de coisa. Gostaria muito de reassumir esse meu lado.
Sabe, eu aprendi a mandar pessoas a tomar no cu por causa do livro. ASSUMO! Nada pior do que ter meu sangue sugado por anos!
Pude escrever dois livros, e espero poder escrever mais. Luto agora para entrar em uma faculdade. Sim, sinto-me plena.
Aloha!
Ceila, que bacana saber que vc leu o livro! Torço pra que vc possa participar do encontro no futuro, vale muito à pena, é uma experiência interessante tb, mas diferente da leitura do livro.
A loba em mim surgiu com a maternidade tb, e com a amamentação. Parabens pela iniciativa de propor, aqui no Desabafo, a troca de ideias a respeito dessa outra dimensão da maternidade, tão importante e tão ignorada.
Beijo!
Re
Ceila, querida, que delícia seu texto. É tão lindo ver alguém descobrir o "Mulheres que correm com lobos", ainda mais com todo esse entusiasmo! Eu digo que quando nasce uma menina ela já tem que ganhar de presente esse livro, a Biblia do feminino, pois os contos de fada são os verdadeiros bálsamos pra nossa alma. Foi por isso que resolvi abrir o 1o grupo de mulheres, no Rio, há 8 anos atrás: esse livro tem que ser mais do que lido, tem que ser VIVIDO! E agora estou, após 12 grupos no Rio, abrindo o trabalho aqui em Sampa. Vc é super bem vinda, estamos indo para o 3o encontro no próximo sábado, se quiser, venha juntar-se a nós.
Com muito carinho,
Carla Machado,
Deh, que desabafo mais lindo. tenho certeza absoluta que era a sua la loba que lhe dizia que a clarice estava na sua barriga. Eu estou no quarto conto e parei um pouquinho a leitura porque estava ficando muito entusiasmada e percebi que a dose estava alta demais. Mas ler seu comentário agora ficou mais claro que a sensaçãoa contece porque estou literalmente descobrindo a mim mesma. Bjkas e prazer imenso te conhecer!
Ahhhhhhhh, Sakura, que emoção ler e conhecer vc. mulher selvagem literalmente. acho que eu já nasci mandando os outros tomarem no cu - adoro falar palavrão, mas hoje já não sinto vontade de falar eles. não há mais prazer em pronunciá-los, entende! Só pra dar risadas com amigos...por outro lado, quando li seu comentário e comecei a escrever uma resposta, percebi também que nasci muito ingênua, boazinha e gosto de ser assim também. haja ambivalência! e quais são seus livros, me diga!
Um ano quase!!! Volto aqui porque acabo de ler um post num blog sobre o livro (http://solemescorpiao.wordpress.com/2009/07/12/mulheres-que-correm-com-os-lobos/#comment-332) e resolvi indicar este link por lá...Tanta coisa aconteceu que preciso fazer upgrade. Fiz o curso da Carla, descobri verdadeiros monstros dentro de mim, aprendi a falar com alguns deles...Voltei a fazer terapia, voltei pra redação, sai e voltei a ser frila fixo. começo um novo projeto e ainda resolvi assumir minha maior missão feminina (acredito eu) e, detalhe, ainda não emagreci, mas cortei o cabelo curtinho hoje, exatamente agora...viche tanta coisa...